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Educação médica e exercício da profissão são temas do 14º Webinar APM

“Nos últimos anos, a educação médica tem sido objeto de debate intenso no Brasil. Vivemos em um momento de proliferação indiscriminada de escolas de Medicina voltadas basicamente para atender a dois tipos de necessidades: ambições políticas de alguns ou econômicas de outros”, introduziu o presidente da Associação Paulista de Medicina, José Luiz Gomes do Amaral, na abertura do 14º Webinar APM, realizado em 18 de agosto. O evento foi moderado pelo diretor de Comunicações da entidade, Everaldo Porto Cunha.

Durante a sua intervenção, Gomes do Amaral acrescentou que o sistema público não comporta e não remunera adequadamente os médicos. “Não temos nenhuma proposta do Ministério da Saúde para melhorias aos 450 mil médicos ou mais em atividade no País.”

Refletindo, assim, na distribuição desigual dos profissionais. “Por isso, os médicos permanecem em áreas mais desenvolvidas economicamente, onde há mais oportunidades de trabalho. Ao se deslocarem para uma região remota, não terão opções profissionais, nem no sistema público, porque não há concursos; nem no sistema privado, porque não há lugares para absorver seu trabalho”, explicou o presidente da APM.

Por fim, com relação à Covid-19, ele falou sobre as queixas constantes de alunos alocados para atender os casos com suspeitas ou confirmação da infecção viral, sem experiência nas especialidades escolhidas.

“A Medicina não é só técnica, não é só conhecimento especializado; é o envolvimento com pessoas, com os problemas sociais, é a compaixão e a experiência pessoal, é o convívio com pacientes e familiares, é o aperfeiçoamento profissional.  Em uma pandemia, enfrentá-la significa amadurecer em dias aquilo que nós custamos a fazer em anos.”

340 faculdades de Medicina

“A corte portuguesa chegou ao Brasil em 1808, aportando-se em Salvador, Bahia, capital do País na época. Lá no Terreiro de Jesus, fundou a primeira Escola de Cirurgia, hoje Faculdade de Medicina da Bahia da UFBA. Pouco tempo depois, a corte mudou para o Rio de Janeiro e criou outra escola médica. Hoje, no período de um ano, dobramos o número de faculdades de Medicina, com 340 escolas e aproximadamente 35 mil vagas.  Isso é uma solução ou problema?”, questionou Porto, moderador da reunião.

Se houvesse critérios rigorosos para a abertura de novas escolas médicas seria solução, entende César Eduardo Fernandes, diretor científico da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). “Na prática, no entanto, muitas delas são deficitárias”, completou o Professor Titular da Faculdade de Medicina do ABC.

“Cito como exemplo o exame feito pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) para os egressos dos cursos médicos. Na avaliação de conhecimentos básicos, que todos recém-formados deveriam saber, o índice de reprovação é vergonhoso. E o número de escolas médicas não resolve os problemas nem a concentração de médicos em algumas regiões específicas, como já falado por Amaral.”

Além da boa formação de médicos, Fernandes também defendeu uma carreira com qualificação aos médicos. “Precisa ser feita uma reavaliação dessas escolas, vendo aquelas que efetivamente têm condições de funcionar e encerrar as que não tem condições mínimas de funcionamento. No entanto, geramos outro problema porque em muitas delas já têm alunos com formação avançada e eles não tem culpa. Quem tem são aqueles que lhes possibilitaram a entrada, o business dessas faculdades. Em resumo, em cima de uma solução ruim, há problemas quase que ingerenciáveis.”

Experiências no ABC

O presidente da Associação Paulista de Medicina – São Bernardo do Campo e Diadema, João Eduardo Charles, lembrou que muitas dessas novas escolas foram abertas por conta do programa Mais Médicos, como configurado em lei.

“Vivemos um conflito: na minha cidade hoje temos uma faculdade particular de Medicina, onde o aluno investe R$ 8.400 de mensalidade. Imagine este valor somado e corrigido daqui a cinco anos? Essa faculdade deveria dar o melhor curso possível; se não der, para onde vai o dinheiro investido? Sim, precisa de equipe para fiscalizar essas escolas, ver qualidade e avaliar, porque sabemos que isso não é feito adequadamente no Brasil”, completou.

Diante da infraestrutura hospitalar na região, com hospital de urgência, clínico, oncológico, ele informou que há cerca de 2 mil profissionais médicos trabalhando em São Bernardo do Campo e cerca de 300 residentes na saúde municipal.

Charles também abordou a parceria da Regional com a prefeitura de São Bernardo e com a Faculdade de Medicina do ABC. “São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul têm trabalhado muito em conjunto com todas as questões de formação e temos procurado trazer os residentes para dentro das nossas atividades científicas e culturais. No enfrentamento do novo coronavírus, atuamos com prefeitura no treinamento de cerca de 600 profissionais com orientações dos cuidados preventivos”, compartilhou.

Já a APM de São Caetano tem investido em educação médica continuada. “Promovemos cursos, jornadas e eventos científicos, além dos mais diversos serviços: defesa profissional, cultural, social, prezando a integração entre médicos da cidade e com a Faculdade de Medicina de São Caetano do Sul”, listou o presidente da Regional, Julio Abdalia Calil.

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